sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

História sem fim | capítulo 11

Desde o finalzinho de novembro último, os leitores do blog-mãe e dos demais blogs da turma de Diplomática e Tipologia Documental têm acompanhado a infindável (já quase finda) saga de um 'sofredor' e aventureiro estagiário de Arquivologia.


Depois de já ter passado por poucas e boas - se envolver com mulheres mais velhas, falsificar documentos, ser detido pela polícia e ser quase cúmplice do atropelamento de uma inocente cadelinha, além do desgosto natural de ser torcedor do Sport Club Corinthians Paulista - nosso protagonista está agora em mais uma situação embaraçosa.

Sem dinheiro para arcar com os custos da inesperada visita da cadelinha de Mulher Seriguela ao veterinário, nosso Pobre Estagiário recorreu, desesperada e inconsequentemente, aos socorros de um agiota, um agiota qualquer, o mais próximo que pode encontrar à clinica veterinária onde estava; 'comprou' R$300 em notas de R$100 com o distinto senhor.

Apressado e agoniado com a situação pela qual passava no momento, pegou o dinheiro com o homem sem nem prestar atenção à sua veracidade, o que deveria ter feito. Afinal, eram notas de valor elevado, frequentemente alvos de falsificação.

Chegando para acertar a conta da cadelinha com o veterinário, o estagiário foi surpreendido com a seguinte exclamação por parte do doutor: moleque, você quer me pagar com dinheiro de banco imobiliário? Não tem vergonha nessa cara, não?

Atarefado com as atividades da universidade e do estágio, além de todo o trabalho que tem para administrar suas 79 namoradas, nosso rapazinho vem tendo pouco tempo para se manter atualizado com o que acontece no Brasil e no mundo, e, sem saber que aquele era o novo modelo de notas que entrara em circulação no país no próximo dia 17 [nessa história o tempo é mero detalhe], nosso estagiário não soube argumentar com o doutor. 

Seu amigo, apesar de ter protagonizado o incidente com o animalzinho, estava mais calmo que nosso Pobre Estagiário. Colega de universidade, recentemente graduado, e um pouco mais informado que nosso mocinho trapalhão, o amigo explicou sobre as novas notas e analisou sua aparência, conteúdo, veracidade e autenticidade ao doutor e ao Pobre Estagiário.

Estas notas são verdadeiras. As novas notas têm impressão superior e elementos de segurança foram redesenhados de forma a facilitar a identificação pela população e dificultar a falsificação.

Nas notas de R$ 50 e R$ 100 foi incluída uma faixa holográfica com desenhos personalizados por valor, o que, de acordo com o Banco Central, é um dos mais sofisticados elementos anti-falsificação existentes, como podemos constatar nestas aqui.


Também p
ossuem a marca d’água, impressão em alto-relevo, o registro coincidente (que é o o desenho das Armas Nacionais), o fio de segurança, a numeração que determina a série, ordem e estampa, a imagem latente com as inscrições do Banco Central BC, as fibras luminescentes, as assinaturas do Ministro da Fazendo e do Presidente do Banco Central.


Logo, atingem sua finalidade de moeda, possuindo, legitimamente, seu valor.





Espécie: Cédula
Gênero: Textual e iconográfico.

Suporte:  Papel moeda
Forma: Original.
Formato: Cédula de dinheiro
Idioma: Português brasileiro.
Entidade produtora: Casa da Moeda do Brasil


Impressionado com o conhecimento do rapaz, o doutor em alguns minutos de conversa, e após acertar o pagamento das despesas da cadelinha com nosso herói e de se desculpar pela deselegância, lembrou-se da bagunçada sala onde estavam os documentos de sua antiga e renomada clínica, e lhe fez uma proposta para organizar e cuidar do arquivo de sua empresa, já que o rapaz esbanjava intimidade com o assunto.

Após alguns contatos telefônicos, o Arquivista amigo de nosso estagiário topou o trabalho com os documentos da clínica. Acertando o contrato de trabalho, então, o doutor, entre outros documentos, pediu-lhe que levasse seu diploma de graduação, para aferir sua formação. 


Observação ao grupo sobsequente, Cemitérios: na imagem acima, onde se lê "COMUNICAÇÃO SOCIAL", leia "ARQUIVOLOGIA".

2 comentários:

  1. Observação 2.: e onde se lê 1977, lê-se 2010.

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  2. Ótima postagem. Muito criativa. A análise do documento está satisfatória.

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